Jornal do Commercio, 15/fev
Ao alcançar, em 2010, R$ 77,8 bilhões, um crescimento de 57,2% ante 2009, representando 70% de todo o crédito imobiliário ofertado pelo mercado, de acordo com o balanço divulgado nesta sexta-feira, o investimento da Caixa Econômica Federal (CEF) em habitação reafirma e consolida um desempenho a refletir, sem dúvida, papel identificado com a captação de poupanças populares e programas de acesso à casa própria, nos quais secularmente sempre exerceu papel de destaque, realçando o perfil de banco social característico da instituição.
Desse total, R$27,7 bilhões saíram da caderneta de poupança e R$ 31 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma e outro responsáveis pelo financiamento de 203,9 mil e 398,6 mil unidades habitacionais, respectivamente.
0 lucro líquido registrado pela CEF no ano passado foi de R$ 3,8 bilhões, refletindo expansão de 25,5% ante o ano anterior. O crescimento foi puxado pelas operações de crédito do banco público, tendo a carteira de empréstimo fechado dezembro de 2010 com saído de R$ 175,8 bilhões, o equivalente a um aumento de 41,3%. Enquanto isso, as concessões de crédito atingiram nível recorde, somando R$ 194 bilhões e mostrando, de acordo com a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, que "os resultados confirmam a política correta adotada pela instituição, de se focar no crédito". A meta para 2011, segundo ela informou, é a de crescer 30% nessa área. Por outro lado, o banco fechou o ano passado com 40 mil pontos de atendimento no Brasil, sendo a meta para este ano abrir mais 200 pontos. O número de contas de poupança superou a marca de 40 milhões e depósitos de R$ 129 bilhões. A captação líquida da poupança foi de R$ 13,2 bilhões em 2010. Os ativos totais da Caixa tiveram aumento de 17% e fecharam o ano passado em R$ 400 bilhões.
Outros números constantes do balanço indicam que o número de contratações de financiamento imobiliário cresceu 61,4% em 2010, para R$ 75,92 bilhões. 0 montante eqüivale a 1,231 milhão de moradias. Desse total, 660.980 unidades são referentes ao programa Minha Casa, Minha Vida.
Outro fato a considerar, no conjunto das informações contidas no balanço anual, é que a participação da Caixa no mercado de crédito nacional chegou a 10,32% em 2010, acima dos 8,79% do ano anterior. De acordo com o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos, há cinco anos essa participação não passava de 5%. No crédito imobiliário, mesmo com a maior concorrência, a fatia do banco público subiu de 74,9% para 76,05%.
Verificando-se, como se verifica, que o financiamento habitacional foi a linha da Caixa Econômica com maior crescimento, tendo registrado recorde histórico no ano que passou, poder-se-á reconhecer, nos números divulgados, a importância de sua participação, não apenas numa perspectiva estritamente econômica mas, neces-sariamente, social, em todo um contexto de programas que interessam, fundamentalmente, à superação do desafio de redução do déficit de moradias. Isso traduz a continuidade de um papel que em diferentes épocas tem sido da maior relevância, no tocante à realização do sonho da casa própria e em função de toda uma proposta cuja abrangência e alcance são inequívocos, no esforço para assegurar o direito à moradia a quantos brasileiros dela necessitam, com ênfase nas camadas mais carentes da população.
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